1. SEES 7.8.13

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  A ESCOLHA  SUA
3. ENTREVISTA  GUIDO MANTEGA  A INFLAO  A PIOR COISA
4. MALSON DA NBREGA  LULA MGICO
5. LEITOR
6. BLOGOSFERA
7. EINSTEIN SADE  ESTILO DE VIDA PODE PROPICIAR REFLUXO

1. VEJA.COM
EDITADO POR DANIEL JELIN daniel.jelin@abril.com.br

AQUECIMENTO PARA O ENEM 2013
Sero abertas nesta semana as inscries para o Simulado On-line do Enem 2013, parceria entre o site de VEJA e o curso Pr-Enem, da Abril Educao.  o momento de testar conhecimentos na reta final de preparao para o exame, que d acesso a vagas de universidades pblicas e privadas. As inscries devem ser realizadas entre 5 e 21 de agosto na pgina www.veja.com/simulado. O mesmo endereo rene tambm aulas em vdeo, anlises sobre as questes mais recorrentes, sugestes para a prova de redao e a cobertura completa do Enem 2013. O simulado  gratuito e poder ser feito a qualquer hora entre os dias 26 de agosto e 1 de setembro.

AULAS SOB MEDIDA
O termo crowdlearning foi cunhado para designar iniciativas de ensino e aprendizado colaborativo. Em vez de esperarem a oferta do curso dos seus sonhos, estudantes cotizam-se para bancar treinamentos sob medida no preo, na durao e no nvel de dificuldade. Reportagem do site de VEJA mostra a atuao no Brasil de quatro empresas dedicadas  formao de turmas para os mais variados cursos, desde dicas de paquera at lies sobre finanas pessoais e tcnicas de design e fotografia.

OS JOVENS CONTINUAM CURTINDO
O engenheiro espanhol Javier Olivan  o responsvel pela estratgia de expanso do Facebook. Com ele, a rede social saltou de 40 milhes de usurios, em 2007, para mais de 1 bilho, em 2013. Para tanto, Olivan comanda uma equipe de 200 pessoas encarregadas de escarafunchar montanhas de dados e garimpar as melhores oportunidades de crescimento mundo afora. Em entrevista ao site de VEJA, o executivo revela os prximos passos da companhia no Brasil  que inclui maior oferta de servios mveis , refuta projees de que a rede esteja perdendo a ateno dos jovens e comenta a meta vislumbrada por Mark Zuckerberg para as prximas dcadas: alcanar 5 bilhes de usurios.

TRINCHEIRA LIBERAL
O economista Rodrigo Constantino  o mais novo colunista do site de VEJA. Autor de sete livros, incluindo Privatize J, ele se define como um liberal clssico  em um pas onde o liberalismo nunca deu o ar da graa. "Coloco no topo da minha hierarquia a liberdade individual, contra os diferentes tipos de coletivismo", escreve em seu post inaugural, "A 'voz do povo' no  a voz de Deus, e toda tirania deve ser condenada, inclusive a da maioria." 


2. CARTA AO LEITOR  A ESCOLHA  SUA
     Uma reportagem desta edio de VEJA revela com exclusividade os verdadeiros nmeros da maior tragdia brasileira, os assassinos ao volante. O levantamento do Observatrio Nacional de Segurana Viria, feito por encomenda da revista, baseou-se nos pedidos de indenizao ao DPVAT, o seguro obrigatrio de veculos. So dados mais confiveis do que as estatsticas oficiais, baseadas em atestados de bito que nem sempre informam o que levou a pessoa a ser internada. Os nmeros revelados por VEJA mostram que a carnificina nas ruas e estradas  ainda pior do que imaginvamos. Mata-se ao volante no Brasil mais do que puxando o gatilho de revlveres. Motoristas que beberam e os imprudentes fazem mais vtimas fatais no pas em um ano do que a guerra entre o governo srio e os insurgentes armados. Mais pessoas morreram em acidentes de trnsito aqui do que em trs anos de guerra no Iraque. 
     S em 2011, segundo a pesquisa de VEJA, a conta mrbida foi de 58.000 pessoas. As estatsticas oficiais registraram 43.000 mortos no trnsito naquele ano, o que j seria um espanto. Mas os nmeros verdadeiros pem o Brasil em primeiro lugar no trgico ranking mundial de mortos no trnsito por 100.000 habitantes. As autoridades que gostam tanto de exibir dados sobre o desempenho internacional do pas deveriam deixar o ufanismo de lado e colocar a letalidade nas ruas e estradas no primeiro lugar de sua lista de prioridades. Sim, so de responsabilidade dos governos a pssima sinalizao, a fiscalizao porosa e as estradas malconstrudas e carcomidas por falta de manuteno adequada. 
     Mas as responsabilidades no se esgotam no governo. Quem mata algum no trnsito por estar dirigindo depois de ingerir bebida alcolica ou agindo irresponsavelmente ao volante fez a escolha individual de se comportar assim. Com os novos aplicativos de celular que tornam mais fcil chamar um txi, a oferta de cerveja sem lcool e a solidariedade dos amigos, correr risco e pr os outros em risco  uma deciso pessoal. Um mau patro pode at obrigar um motorista profissional a dirigir mais horas do que a lei permite, mas, ainda assim, existe escolha  e ela deve ser recusar-se a faz-lo e denunciar o abuso. 
     Se o Brasil quer avanar em seu processo civilizatrio,  hora de as pessoas serem responsabilizadas pelas escolhas que fazem na vida. Pr a culpa da criminalidade na sociedade, nos males do capitalismo, na desigualdade social ou nos maus-tratos sofridos na infncia no leva a nada. Atrapalha o diagnstico do problema e torna impossvel sua soluo. O mesmo raciocnio vale para o trnsito. Quem se senta ao volante de um carro ou pega o guido de uma motocicleta sem condies de dirigir  algum que, tendo a chance de estar no banco de passageiros, em um txi ou nibus ou, ainda, de caminhar, optou por correr riscos. Que as pessoas paguem por suas ms escolhas individuais  uma das grandes garantias de bem-estar e progresso coletivo.


3. ENTREVISTA  GUIDO MANTEGA  A INFLAO  A PIOR COISA
O ministro da Fazenda reconhece que a alta nos preos reduziu a confiana na economia, declara intolerncia ao mal inflacionrio e diz que agir para destravar investimentos.
GIULIANO GUANDALINI

Guido Mantega  um dos poucos integrantes do primeiro escalo que se mantm no governo desde 2003, quando o PT assumiu o poder. Foi ministro do Planejamento e presidente do BNDES, at ser nomeado, em maro de 2006, para a Fazenda, depois da queda de Antonio Palocci. Seu temperamento contemporizador e sua fidelidade, tanto ao ex-presidente Lula como  presidente Dilma Rousseff, asseguraram a ele uma longevidade rara na Esplanada dos Ministrios. Mantega, de 64 anos, est  frente do programa federal de concesses de obras de infraestrutura, dado como prioridade no governo Dilma neste ano. Ele tem andado ocupado, discutindo com a presidente detalhes da apresentao que o governo brasileiro far a investidores chineses de projetos de construo de ferrovias no Brasil. O ministro recebeu VEJA em seu gabinete, em Braslia, e manteve-se fiel a sua marca registrada de fama internacional, o otimismo: "No posso dizer que cresceremos 1,5% e dizer que est bom. Nossa meta  buscar uma taxa de crescimento de 5%". 

Em 2011, o Ministrio da Fazenda trabalhava com a expectativa de crescimento mdio superior a 5% para os quatro anos do governo Dilma Rousseff. A realidade, no entanto,  que o ritmo de avano do PIB no ser muito superior a 2%, nesse perodo. O que explica essa reverso de expectativas? 
Nossa perspectiva, naquele momento, decorria do resultado obtido nos anos anteriores. De 2006 a 2010, crescemos 4,5% ao ano em mdia. Foi um ritmo superior ao de pases como o Chile, por exemplo. A verdade  que samos muito bem da crise de 2008 e 2009. Alm disso, a percepo geral no mundo era que o pior da crise internacional havia sido superado, o que abria boas perspectivas para o Brasil. O pas colhia resultados favorveis, com aumento dos investimentos e do consumo. Havia um otimismo realista no ar. Em 2011, no entanto, comeamos o ano com presses inflacionrias. Tivemos de tomar medidas para controlar a inflao. Ainda assim, a taxa fkcou em 6,5% naquele ano, no limite superior da meta inflacionria. A pior coisa que existe para o Brasil  a inflao, e por isso decidimos fazer um ajuste em 2011, mesmo ao custo de reduzir o crescimento. Se tivssemos deixado de agir, a economia teria crescido muito mais que os 2,7% registrados. Imaginamos que haveria uma reao a partir de 2012. Acabamos, no entanto, surpreendidos com o agravamento da crise europeia. O panorama mudou. 

Como o governo reagiu a essa nova crise? 
A crise obriga os pases a fazer reformas. Foi o que fizemos. Implantamos uma poltica para dar mais competitividade  indstria, reduzindo alguns dos principais custos das empresas. Em primeiro lugar, o custo financeiro, diminuindo as taxas de juros dos bancos pblicos. Fizemos tambm um ajuste cambial. Com o excesso de dlares nos mercados internacionais, o Brasil despontava como um destino atraente para esses recursos. Estvamos numa situao delicada, com o real extremamente valorizado. O dlar chegou a ser cotado a 1,60 real. Colocamos o cmbio em um novo patamar, tornando a indstria nacional mais competitiva. Se no tivssemos feito isso, intervindo no cmbio, uma parte da indstria teria perecido. As empresas no suportariam o boom de importaes. Fomos inundados por importaes. A importao de carros estava crescendo ao ritmo de 30% ao ano. Comeamos tambm a reduzir tributos. Com esse conjunto de medidas, buscamos preparar o Brasil para ser mais competitivo no ps-crise. 

Com a resistncia da inflao, contudo, no deveria ter sido feito um ajuste mais duro, tanto nas contas pblicas como na taxa bsica de juros, a Selic? 
Foi exatamente isso que fizemos em 2011, aumentando o custo do crdito e contraindo o consumo. Foi durssimo.  Mas, com a crise europeia, foi o momento de voltar a diminuir os juros. Todo mundo fez isso. Na sequncia, tivemos de lidar com presses inflacionrias advindas de quebras de safras internacionais. No existe presso inflacionria originada no consumo, como muitos dizem. Pelo contrrio. O ritmo de crescimento nas vendas do comrcio est em queda. As presses inflacionrias no vieram do aumento do consumo interno. Elas vieram da quebra de safras agrcolas em diversos pases, alm da presso exercida pela valorizao do dlar. Entramos em 2013 com a inflao mais elevada. Felizmente, a inflao no preo dos alimentos, a mais forte, perdeu intensidade. Hoje os dados mostram que a inflao brasileira j est recuando para um patamar mais confortvel. 

Diversos indicadores revelam queda da confiana dos brasileiros, tanto entre consumidores como entre empresrios. Porqu? 
O consumidor, de fato, sentiu os efeitos do aumento da inflao e tambm as restries ao crdito. Para as pessoas de baixa renda, o aumento dos alimentos teve um peso importante. Mas os indicadores mais recentes mostram que a confiana comea a ser restabelecida. Alm disso, h um impacto dos humores externos. A alta do dlar sempre causa preocupao. No que diz respeito aos investidores externos, a confiana no Brasil permanece alta, apesar de algumas anlises em contrrio. Fechamos o primeiro semestre com mais de 30 bilhes de dlares em investimentos estrangeiros diretos, recursos destinados ao setor produtivo. Foi um nmero superior ao registrado em igual perodo do ano passado. Se isso no  confiana, eu no sei o que . No acredito que os investidores tenham um instinto suicida. Eles esto vindo porque tm confiana. O Brasil foi, no ano passado, o terceiro principal destino de investimentos diretos, atrs apenas dos Estados Unidos e da China. 

Diferentes analistas, externos e internos, vem uma perda de credibilidade na conduo da economia brasileira, em decorrncia de fatores como o aumento na inflao e tambm de incertezas com relao ao resultado das finanas pblicas... 
O governo jamais deixar a inflao sair do controle, mesmo que isso signifique reduzir a taxa de crescimento. Com relao ao resultado fiscal, o superavit primrio foi reduzido porque consideramos necessrio e desejvel conceder desoneraes, ou seja, reduo de impostos, principalmente para os investimentos. Sem essas desoneraes, a meta fiscal seria cumprida tranquilamente. Fazemos uma poltica anticclica. Quando a economia desacelera, estimulamos a economia, reduzindo impostos. A chamada "contabilidade criativa", muito criticada,  como capitalizamos o BNDES, ou como emprestamos dinheiro ao BNDES por meio de ttulos pblicos. Tudo isso est perfeitamente dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal.  absolutamente transparente. Temos um dos oramentos mais transparentes do mundo. Comeamos com essa poltica em 2009, quando houve um travamento dos financiamentos ao investimento. Infelizmente, o setor privado no tem condies de fazer esses financiamentos. Adoraria que ele tivesse. Colocamos 100 bilhes de reais no BNDES nos ltimos anos. Sem isso, os investimentos das empresas no teriam se recuperado.  uma balela dizer que demos incentivos apenas ao consumo e no aos investimentos. Os investimentos estavam crescendo acima do PIB. Mas, quando veio a crise, os investimentos se retraram. 

O BNDES receber novos aportes? 
Vamos continuar colocando dinheiro no BNDES, ainda que em ritmo menor. Os bancos privados comeam a entrar no financiamento de longo prazo, e com o tempo isso dever diminuir o papel do BNDES. 

O Banco Central afirmou em ata recente que o governo tem mantido uma poltica fiscal expansionista. Para auxiliar no combate  inflao e evitar uma alta ainda elevada nos juros, o correto no seria apertar o oramento pblico? 
Neste momento a poltica fiscal  neutra, ela no  expansionista. Nossos gastos esto contidos. Ela foi expansionista em 2012, porque o PIB estava crescendo menos. Mas foi expansionista sobretudo com desoneraes. Neste ano devero ser 50 bilhes de reais. Pergunte ao empresariado se  desejvel que o governo interrompa as desoneraes. 

Para conter a alta maior da inflao, o governo decidiu evitar repasses do aumento do custo do petrleo para os preos dos combustveis. A Petrobras amarga grandes prejuzos com essa poltica. No  um contrassenso? 
Se analisarmos os ltimos cinco ou seis anos, os preos dos combustveis ficaram acima dos preos internacionais na maior parte do tempo. A Petrobras tem uma poltica de no conceder reajustes automticos, conforme as oscilaes internacionais. Ela trabalha com uma mdia. No passado, os preos ficavam mais tempo acima que abaixo das mdias internacionais. Ela estava guardando caixa, podemos dizer. Neste momento de inflao mais aguda, todo mundo precisa colaborar. 

A taxa de investimentos do pas, medida em relao ao tamanho da economia,  muito baixa. O que falta para destravar os investimentos? 
Em primeiro lugar, os  investimentos pblicos em infraestrutura vm crescendo, talvez menos do que gostaramos. No  fcil elevar o investimento, eu reconheo. O limite atual no  de recursos, mas de projetos. No passado, no havia recursos. Agora o problema passou a ser de falta de projetos benfeitos para ser executados. Por isso, somos totalmente favorveis  participao privada nos investimentos.  essa parceria que elevar a taxa de investimentos.  o que vamos fazer com as concesses. Sero licitados, ainda neste ano, 7.500 quilmetros de rodovias. 

Essas licitaes j deveriam ter sido feitas e foram adiadas. Agora  para valer? 
Em abril, quando as licitaes seriam lanadas, houve resistncia dos investidores, porque, de fato, a rentabilidade oferecida nos projetos estava muito baixa. Os estudos eram antigos, a rentabilidade no chegava a 5%. A pedido da presidente Dilma. atualizamos todos os clculos. Posso dizer que o setor privado, agora, est satisfeito. As rodovias tero uma taxa de rentabilidade excelente, que dever ser de 1,2% ao ano. Considerando os financiamentos dos bancos pblicos, chega-se a uma rentabilidade de 15%, em termos reais. Existem poucos casos no mundo de rendimento como esse. Teremos concorrncia. A nossa prioridade hoje so os investimentos em infraestrutura, porque temos um gargalo em todo o pas, decorrente de vrios anos sem investimentos apropriados. Essa  uma grande oportunidade para os prximos anos.

O senhor costuma ser criticado por esbanjar otimismo em previses que, mais tarde, no se confirmam. Isso no reduz a credibilidade da poltica econmica? 
So metas para as quais precisamos trabalhar. Precisamos nos colocar desafios. No posso dizer que cresceremos 1,5% e dizer que est bom. Nossa meta  buscar uma taxa de crescimento de 5%, com aumento dos investimentos da infraestrutura e manuteno do nvel de emprego, permitindo uma alta sustentvel na oferta de crdito. Eu estabeleo metas e desafios a ser alcanados, no apenas para o setor pblico, mas tambm para o setor privado. Agora, no podemos nos esquecer de que sofremos com a pior crise da histria do capitalismo em oitenta anos. Ns a estamos atravessando muito bem. No me lembro de termos enfrentado uma crise dessas, no passado, mantendo a taxa de desemprego em patamares to baixos como os atuais. 

Muito se fala da sua eventual sada do ministrio. H algum fundo de verdade nesses boatos? 
Nesse longo perodo em que aqui estou, j houve ocasies em que alguns lanaram esses boatos, e todos se verificaram infundados. Da mesma forma que no passado, assim o so hoje.  normal. Quando comeou o governo Dilma, dizia-se que eu no era escolha dela, e sim do Lula, e eu poderia sair na primeira reviso ministerial. Isso nunca aconteceu. 

Na semana passada, VEJA trouxe uma reportagem sobre uma conspirao do ministro da Educao, Aloizio Mercadante, para tir-lo do ministrio. O senhor teve conhecimento dessa conspirao? 
Fiquei perplexo ao ler a matria, e no acredito que o meu colega Aloizio Mercadante, que conheo h mais de trinta anos, pudesse ter arquitetado algo que desestabilizaria o governo. 


4. MALSON DA NBREGA  LULA MGICO
     Como poucos, Lula rene uma combinao virtuosa de carisma, faro poltico, sorte e habilidade para convencer o pblico de que  autor de muitos feitos histricos (discutveis, bem entendido). Vrios so os exemplos. Um deles  o pagamento da dvida com o FMI, citado por ele na entrevista para o livro 10 Anos de Governos Ps-Neoliberais no Brasil: Lula e Dilma, na qual se gaba desses "feitos". 
     Faamos justia a Lula. Seu xito no governo tem muito a ver com ele prprio. Ele abandonou ideias econmicas equivocadas do PT e abraou os sadios princpios da poltica econmica de FHC. Isso exigiu coragem, pois a guinada desanimaria muitos companheiros. Sem a mudana, seu governo teria cometido desatinos que nos impediriam de aproveitar duas bonanas vindas do exterior: (1) a emergncia da China como maior importador de nossas commodities: e (2) o longo perodo de prosperidade mundial e de liquidez abundante  
     As bonanas externas se somaram a duas outras de origem interna: (1) os ganhos de produtividade decorrentes de reformas de governos anteriores: e (2) a disponibilidade de mo de obra (taxa de desemprego de 11,7%). No exterior, investidores e analistas se impressionaram com o desempenho do Brasil, encantados pela virada pr-mercado do operrio-presidente. Faziam um paralelo com as mudanas da social-democracia europeia no ps-guerra e com o novo trabalhismo (1997) do primeiro-ministro britnico Tony Blair. Hoje, a percepo mudou para pior, mas isso  assunto para outra oportunidade. 
     Voltemos ao FMI. Na entrevista, Lula fala de uma obsesso. "A mesma obsesso que eu tinha de no pagar aluguel. Eu tinha que acabar com o FMI, de no ter dvida com o FMI." Ele se refere  antecipao do pagamento da dvida (2005) e citou o encontro com o ento diretor-gerente do Fundo, Horst Koehler, quando garantiu honrar o acordo com o Fundo e fazer "o que deveria ser feito no pas". E completa: "O ajuste fiscal que ns fizemos em 2004 pouca gente teria coragem de fazer". Antes disso, o PT pregava o "Fora FMI!. Agora, Lula prometia cumprir o acordo e seguir polticas "neoliberais" recomendadas pelo FMI. 
     O pagamento da dvida nada teve de excepcional. Compromissos com o FMI sempre foram honrados pelo Brasil, pontualmente. A novidade no governo Lula,  verdade, foi a antecipao da quitao. Ocorre que fatos como esse no dependem de uma ideia fixa, mas da existncia de condies favorveis. No perodo Lula, o ambiente internacional nos propiciou robustos supervits na balana comercial e forte ingresso de capitais estrangeiros. As reservas internacionais aumentaram de forma indita. Hoje passam de 370 bilhes de dlares.
      A antecipao do pagamento era recomendvel por trs motivos: (1) pela ampla disponibilidade de reservas. (2) pela convenincia de recuperar graus de manobra da poltica econmica e (3) pelo efeito poltico da medida em um pas onde se imagina que acordos com o FMI afrontam a soberania. Mais do que uma obsesso, a medida dependeu de condies objetivas, particularmente o nvel de reservas. Elas tambm existiam em outros pases, os quais do mesmo modo anteciparam o pagamento da dvida com o Fundo. Antes do Brasil, fizeram o mesmo as Filipinas (2002), a Tailndia (2003) e a Rssia (2004). A Argentina antecipou em 2005; a Indonsia e o Uruguai, em 2006. 
     Na sua conhecida propenso a se considerar o marco zero das glrias do Brasil, Lula no perde a chance de vangloriar-se de ter livrado o pas das condicionalidades presentes nos emprstimos do FMI. Dada a sua competncia em apregoar o que diz serem realizaes sem precedentes, muitos imaginaram que a dvida externa havia sido paga. Como se recorda, a condenao ao endividamento externo foi uma das bandeiras do PT, que chegou a promover um plebiscito entre seus filiados a respeito da suspenso do respectivo pagamento. Ainda que sem os riscos do passado, em virtude das bonanas e das aes comentadas, a dvida externa ainda est a. Seu valor atual, de 325 bilhes de dlares,  inferior s reservas internacionais, o que nos faz credores lquidos com o exterior, inclusive o FMI. Muitos contriburam para tanto, e no apenas Lula. Mas ele  mgico, no? 


5. LEITOR
PAPA FRANCISCO
Na reportagem especial '"O caloroso encontro do papa com as ruas"' (31 de julho), palavras inebriantes e sensveis. No tinha lido nada igual sobre o papa e fiquei realmente surpresa e muito grata por poder refletir mais um pouco sobre o cativante Francisco.
SNIA MARIA PIVA AMARO
So Jos do Rio Preto, SP

Belssima reportagem especial de VEJA. O papa Francisco veio para resgatar os valores da Igreja Catlica. Esperamos que a simpatia e a simplicidade que ele nos deixou sirvam para diminuir os problemas no Brasil.
CARLOS ALBERTO PEREIRA DE SOUSA
Teresina, PI

O encantamento que o papa Francisco despertou comprova que no h discurso ou pregao comovente sem o testemunho de vida. Isso o faz ser mais que um lder religioso. Torna-o um legtimo condutor dos valores que sustentam a boa convivncia humana. Que sua voz seja ouvida e traga transformaes.
ASSIS RODRIGUES DA SILVA
Bom Jardim, PE
V
EJA est de parabns! O papa Francisco revelou-se um grande maestro da f crist. Adicionou uma poro de tango e uma boa pitada de samba nas canes beneditinas. O sucesso conquistou o mundo de imediato.
WILSON ROBERTO BASSO
Balnerio Cambori, SC

Alheio s sedues do dinheiro e ao reluzir do ouro, Francisco inicia sua histria como papa com comportamento, ideias e crenas que o distanciam da vaidade construda e arraigada na Igreja.
MNICA CABRAL DE MELO
Simo Dias, SE

Os belssimos espetculos de f crist que levaram  Praia de Copacabana milhares de pessoas nos ltimos dias da visita do papa so incontroversos exemplos da civilidade, da ndole ordeira e, sobretudo, do senso moral da grande maioria do povo brasileiro. Tudo sob a serena e carismtica liderana do papa Francisco, portador de um verdadeiro humanismo evangelizador. Lamentvel, apenas, o contraste da luminosidade desta Jornada Mundial da Juventude com o obscurantismo da fria predatria de esparsas e raivosas minorias  militantes sabe-se l do qu.
RUI DA FONSECA ELIA
Rio de Janeiro, RJ

Os milhes de jovens reunidos com o papa na Praia de Copacabana so a prova maior de que Deus ainda est em paz com os homens.
Itabuna, BA

Francisco simboliza a paz, a f, a esperana, o amor no corao.
RENATA BORGES ANTONIAZZI
Tup, SP

Quando o papa Francisco chegou, eu acreditava em Deus, mas estava totalmente afastada de qualquer religio como crena. Entretanto, admirei-o por seus atos e palavras desde seu primeiro dia como Francisco. Agora sei que estive diante de um homem especial, um verdadeiro representante de Jesus Cristo. Um homem doce e gentil, culto e simples, forte e sensvel, risonho e "fofo" como tantos o chamaram.
HELENA FERREIRA ALVES
Rio de Janeiro, RJ

O papa Francisco conseguiu com suas mensagens simples ser entendido pelo Brasil em uma s corrente de f. Parabns a VEJA pela linda capa sobre Sua Santidade.
KTIA AZEVEDO
Natal, RN

Com sabedoria, coragem, humildade, sade e oraes o papa Francisco poder realizar feitos extraordinrios e todos ns nos sentiremos confortados.
AIDER AGLIMAR DE VILA
Arax, MG

Ainda estou anestesiada com a visita do papa Francisco. Um verdadeiro pai. afetuoso, simples, solidrio, carismtico. A verdadeira personificao da bondade. Espero que leve uma imagem positiva do nosso povo.
TACIANA DE CASTRO MENDONA
Jaboato dos Guararapes, PE

Excelente a cobertura da visita do papa Francisco ao Brasil. Como esprita praticante, via com tristeza o distanciamento dos padres em relao aos fiis. Sou de origem catlica e era participativa. Em determinado momento, o catolicismo no correspondeu mais aos meus anseios e fui em busca de outras religies, at que conheci o espiritismo e estou nele h mais de trinta anos. Acredito que os humanos, por serem diferentes, necessitam tambm de diferentes crenas nas quais possam depositar sua f e seus anseios, sem que isso crie intolerncias.  muito bom ver a autoridade maior do catolicismo trazer esse ar novo e fresco para dentro da Igreja  que est em excelentes mos. Vibro para que o papa consiga restabelecer a aproximao e esse dilogo principalmente com os jovens, que so o futuro. Papa Francisco, obrigada pela visita e volte quando puder!
ANGELA MARIA GIUDICE DE OLIVEIRA
So Paulo, SP

Esperar do sumo pontfice uma ruptura com o dogma e a moral do cristianismo  um despropsito. A doutrina  imutvel. Francisco est comprometido com a f e com seu estado sacerdotal, demonstrando claramente em suas palavras que  contra o aborto, a unio de pessoas do mesmo sexo, a ordenao de mulheres e a eutansia.
FBIO BOTTO
Biella, Piemonte, Itlia

A despeito de no ser catlico, considero a edio especial sobre a Jornada Mundial da Juventude, em especial a presena do papa Francisco no Brasil, uma sacada genial desta revista que assino. O texto ''Ensinando a rezar", irretocvel,  mais um recado com que VEJA nos brinda para no nos deixar sob o manto da sombra e da tergiversao que o governo tenta nos impor.
JOS GERALDO L. COELHO
Santa Rosa de Viterbo, SP

A coordenao da segurana de um chefe de estado deveria ser levada a cabo pelo governo federal. Porm, com quase quarenta ministrios,  difcil cobrar eficincia. Qual deles  mesmo o responsvel pela coordenao da segurana? Foi a dificuldade da presidente Dilma em responder a tal questo em tempo hbil que fez Deus assumir a segurana de seu humilde filho Francisco.
ANTNIO FLVIO DA COSTA FREIRE
Fortaleza, CE

Se algum tinha dvida de que Deus existe, com a visita do papa acho que essa dvida no existe mais. Com toda a desorganizao da administrao do Rio de Janeiro, com erros crassos de segurana, o homem andou no meio da multido, cumprimentou e tocou o povo, sempre rindo, alegre, e nada lhe aconteceu.
ANTENOR BAPTISTA
So Paulo, SP

Em relao ao deslocamento do papa Francisco no dia 22, no Rio de Janeiro, a Polcia Rodoviria Federal esclarece que o trajeto percorrido pelos motociclistas do servio de escolta e batedor foi aquele previamente definido com os responsveis pela segurana da comitiva papal, em conjunto com a prefeitura do Rio de Janeiro e com representantes do Vaticano. Esse tipo de deslocamento segue uma rota protocolar (principal) e prev rotas alternativas. A escolta cumpriu rigorosamente o que foi preestabelecido nos briefings preparatrios. O comando para a alterao de qualquer rota no parte do motociclista batedor, e sim de um Centro de Comando e Controle, responsvel pela coordenao de toda a ao. Por fim, dos catorze motociclistas que participaram da ao, dez (os da linha de frente) so lotados, residem e atuam no Rio de Janeiro.
PEDRO PAULO BAHIA
Assessor nacional de comunicao social
Polcia Rodoviria Federal
Braslia, DF

LYA LUFT
Maravilhoso o artigo "O jeito brasileiro'' (31 de julho), da notvel escritora Lya Luft. Realmente  fundamental que se fale, cada vez mais, de tica, honradez, transparncia, probidade, palavras que no fazem mais parte do nosso vocabulrio.
Luiz GONZAGA BERTELLI
Presidente executivo do CIEE e da Academia Paulista de Histria (APH)
So Paulo, SP

Ns, "baby boomers", crescemos com a mxima "' proibido proibir", mas essa ideologia explicava-se pelo fato de sermos adolescentes e, como reconheceu o papa Francisco, revolucionrios.
PABLO MIGUEL ROIG
So Paulo, SP

O excelente artigo de Lya Luft nos faz refletir sobre o uso incorreto do termo "jeito brasileiro", que para muitos  algo ruim, alguma falha ou uma trapaa, quando algum d "um jeitinho brasileiro" para burlar a lei. Esse termo deveria ser usado como sinnimo de coisas boas, de que devemos nos orgulhar, e no de aes que nos rebaixam e humilham o povo brasileiro.
LUCAS PARO
Trs Lagoas, MS

Sim, Lya, graas a Deus o jeitinho brasileiro deu certo. Mas at quando?
EDUARDO ARRUDA FIGUEIRDO
Por e-mail

LUIS AUGUSTO ROHDE
A Associao Brasileira do Dficit de Ateno (ABDA) parabeniza a revista VEJA pela importante e esclarecedora entrevista com o psiquiatra gacho Luis Augusto Rohde ("Pela preciso do diagnstico", 31 de julho). A ABDA acredita firmemente que somente atravs da divulgao de informaes cientficas sobre o TDAH, como as transmitidas pelo doutor Rohde,  que poderemos avanar na construo de uma cidadania plena de direitos, nos campos da sade e da educao, para todas as pessoas com TDAH no Brasil.
IANE KESTELMAN
Presidente da Associao Brasileira do Dficit de Ateno
Rio de Janeiro, RJ

A inteno, muito bem colocada, no  diagnosticar e medicar em excesso, e sim aliviar o sofrimento psquico, inclusive de crianas e adolescentes, impedindo sua perpetuao por toda a vida adulta.
ESTCIO AMARO
Psiquiatra e presidente da Associao Paraibana de Psiquiatria
Joo Pessoa, PB

Excelente entrevista com Luis Augusto Rohde. Em tempos em que termos vagos como "sofrimento mental'' e "portadores de sofrimento psquico" predominam em nossa sade pblica politizada e ideolgica, entrevistas corajosas como a do doutor Rohde so muito bem-vindas e esclarecedoras. O diagnstico psiquitrico  extremamente til para termos uma linguagem internacional em comum, chegarmos rapidamente a um diagnstico com preciso, avaliarmos a gravidade do quadro, escolhermos o tipo de interveno e definirmos o prognstico para o paciente e seus familiares.
EUGNIO HORACIO GREVET
Presidente da Associao de Psiquiatria do Rio Grande do Sul
Porto Alegre, RS

A entrevista com o psiquiatra Luis Augusto Rohde mostrou quanto a nossa especialidade ainda  inconsistente. A comear pelo fato de que se cultua o DSM, que  a classificao de transtornos mentais da Associao Psiquitrica Americana, como "bblia da psiquiatria"', enquanto o mundo utiliza a Classificao Internacional de Doenas (CID), patrocinada pela Organizao Mundial de Sade, como referncia para fornecer diagnsticos oficiais. O DSM ignora o que a OMS diz em relao aos transtornos mentais: que eles so resultantes de fatores biolgicos, psicolgicos e sociais.
JOS ELIAS AIEX NETO
Psiquiatra e ex-presidente da Sociedade Paranaense de Psiquiatria
Foz do Iguau, PR

Aos "estudiosos" que fazem crer que a doena no existe e que h um abuso de medicalizaco na educao, fao o convite para conviver com essas pessoas em sala de aula e conhecer o dia a dia delas.
MILENE FURRIEL NURBEGOVIC
So Paulo, SP

Como portadora e me de portador de TDAH, parabenizo a revista VEJA pela forma correta e responsvel com que tratou um assunto srio e to sujeito a preconceitos. As palavras de um profissional de alto gabarito como o doutor Luis Augusto Rohde me deram esperana para enfrentar a doena com mais disposio.  que h horas em que a gente desanima com tantos obstculos...
MARIA MARRAFA
Rio de Janeiro, RJ

JATOS OFICIAIS
De que adianta a FAB divulgar destino, horrio, lista dos voos e quem solicitou a viagem se o que realmente interessa ao contribuinte  saber o nome dos passageiros, a finalidade, o destino e a despesa desses voos? Acrescento que a FAB deveria divulgar a lista da frota, entre avies e helicpteros, o valor pago por essas aeronaves e o custo de manuteno. Isso  transparncia, o resto  s embromao ("Os tontos com asas", 31 de julho).
MARGARETH PEREIRA ELIAS
Rio de Janeiro, RJ

Suas excelncias, se quiserem gozar das benesses da vida de nababo, que paguem o preo correto com o seu dinheiro, e no com o meu!
EUGNIO BANS
Santo Andr, SP

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO
Em ''O grande ausente'" (31 de julho), o articulista Roberto Pompeu de Toledo, ao propor a forma correra dos distritos eleitorais e a eliminao dos limites de representantes por estado, d enorme contribuio para o fim da fachada democrtica do balco de negcios de apoio dos polticos sem eleitores nem compromisso com o povo, financiado pelo gigantesco volume de recursos movimentados pelas estatais e por programas governamentais geridos por dezenas de milhares de colaboradores indicados. Essa condio se agravou a ponto de dificultar a necessria alternncia no poder e ameaa o pas com mudanas ilegtimas de vis totalitrio. S quando cada representante tiver representados que o conhecem e a pauta de votao de todas as Casas for definida de forma transparente, como numa lista trimestral montada a partir da sequncia de votao proposta por cada representante e disponibilizada na internet para que seus eleitores possam v-la, teremos a democracia do poder do povo.
AMADEU TONUSSI RODRIGUES
Belo Horizonte, MG

A crise de representatividade  notvel no sistema brasileiro, conforme evidencia Roberto Pompeu de Toledo em seu artigo O grande ausente". De nada adiantam a realizao de um plebiscito e, posteriormente, uma reforma antes de observar o que est na Constituio  e que na prtica nunca existiu. Com o equilbrio, encontra-se a estabilidade.
ANA ALICE JOHNSSON
Curitiba, PR

BEETHOVEN
Esplndida a reportagem "O mestre e seus maestros"' (31 de julho), sobre as revises das obras de Beethoven. O gnio de Bonn, apesar do corao partido pela decepo com Napoleo Bonaparte, manteve-se fiel s suas convices revolucionrias. Desde as lendrias gravaes com o maestro Fricsay (por volta da dcada de 50), a msica de Beethoven  gravada, interpretada, relida e executada como uma cincia autnoma  que sempre simbolizar o que h de melhor no gnero humano.
CRSTIAN R. TENRIO
Maring, PR

REALEZA
Eis que chegar o dia em que lembraremos as monarquias assim como hoje lembramos a escravido: um regime tolo e irracional ("Pequeno prncipe, grande futuro", 31 de julho).
MRCIO GUEDES NOGUEIRA
Fortaleza, CE

ANDR ESTEVES
Meu otimismo voltou depois de ler a entrevista com o banqueiro Andr Esteves ("Estamos perdendo o jogo". 24 de julho). Esse cara  dos meus. Sem falsa modstia, atendeu ao chamado do ministro Guido Mantega e deu seu recado, apontando solues claras e possveis, capazes de nos ajudar a sair do buraco, lugar para onde fomos empurrados. Lamento profundamente a situao em que se encontram a nossa economia e o nosso Brasil  consequncia direta da incompetncia tcnica, insanidade e perversidade poltico-partidrias dos nossos governantes atuais e proporcional a elas.
IZABEL CRISTINA DA SILVA REIS
Belo Horizonte, MG

EDUCAO
O artigo "Dilma, no desperdice nossos recursos nesse sistema educacional" (24 de julho), de Gustavo Ioschpe,  de uma lucidez rara que poderia nortear as aes dos nossos governantes e foi reiterado pelo economista Malson da Nbrega na mesma edio de VEJA, 2331, no que diz respeito aos gastos com o ensino pblico. Professor  cargo que exige vocao e no pode ser comparado aos da iniciativa pblica. No vamos mudar a nossa realidade enquanto prevalecer o corporativismo em nosso sistema educacional.
VLADIMIR JORGE FERREIRA
San Jos dos Campos, SP

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


6. BLOGOSFERA
EDITADO POR DANIEL JELIN daniel.jelin@abril.com.br

RADAR
LAURO JARDIM
O PAPA NA TV
A Record de Edir Macedo foi a emissora que deu menos espao na sua programao para a visita do papa Francisco: trs horas e 24 minutos em sete dias. A Globo liderou a cobertura (32 horas e 53 minutos), seguida da Band (17 horas e 28 minutos), www.veja.com/radar

ESPELHO MEU
LCIA MANDEL
HIDRATAO
No inverno, o ar seco castiga ainda mais a pele das mos. Resultado: vermelhides, rachaduras e at sangramentos. A soluo  mant-la bem hidratada. Confira nove dicas. www.veja.com/espelhomeu

COLUNA
AUGUSTO NUNES
O PAS QUER SABER
Em 2007, a menor L.A.B. foi trancafiada numa cela ocupada por mais de vinte homens no Par e estuprada repetidas vezes ao dia por quase um ms. Passados seis anos, seus algozes esto livres. Ela desapareceu. www.veja.com/augustonunes

BLOG
VEJA MEUS LIVROS
J.K. ROWLING PARA ADULTOS
Ryta Vinagre, a tradutora da srie Crepsculo, vai assinar a verso brasileira de The Cuckoo's Calling. O romance policial de J.K. Rowiing, criadora de Harry Potter, deve sair em novembro, pela Rocco. www.veja.com/meuslivros

VIVER BEM
PERNAS INQUIETAS
A sndrome das pernas inquietas (SPI)  uma sensao de desconforto nos membros inferiores, seguida de incontrolvel vontade de mov-los.  um distrbio do sono, e no se deve confundi-lo com os movimentos desencadeados por uma situao de stress  como quando balanamos a perna embaixo da mesa. Esses movimentos cessam quando a tenso  aliviada. J a SPI costuma piorar quando o indivduo se deita e relaxa. Resultado: noites maldormidas. No se conhece a origem ou a causa da sndrome, mas sabe-se que na maioria dos casos h um componente gentico. E que  possvel trat-la, fazendo diminuir ou cessar os sintomas e melhorando a qualidade de vida do paciente.
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SOBRE PALAVRAS
OS SENTIDOS DA HIPOCRISIA
A palavra "hipcrita'" veio do grego e designava, a princpio, um ator, um comediante, um histrio  sem as conotaes de falsidade e dissimulao que hoje esto grudadas nela. O fingimento estava l, mas era exercido em nome de uma causa nobre, a de entreter o pblico. H alguma controvrsia sobre os sentidos primitivos que deram origem  definio moderna de hipcrita. Seja como for,  certo que, ao desembarcar no portugus no sculo XIV, a palavra j trazia consigo, pronta, a acepo que hoje vemos atribuda com frequncia a polticos e outros fingidores. Em tempo: o grego Hipcrates, conhecido como o pai da medicina, no tem nada a ver com isso.
www.veja.com/sobrepalavras

QUANTO DRAMA!
O ENIGMA DO BAD BOY
Sangue Bom tem proposto reflexes mais profundas do que a maioria das novelas das 7 da Globo.  surpreendente, por exemplo, a construo do bad boy Fabinho (Humberto Carro), espcie de lado B de Bento (Marco Pigossi). Os dois chegaram ao lar de adoo no mesmo dia, ainda bebs, e pode-se dizer que Fabinho teve mais oportunidades do que Bento. Curiosamente, o primeiro  vilo, e o segundo, mocinho. Por qu? O que torna algumas pessoas to resistentes aos traumas da vida? E o que faz com que outras se deixem impregnar de ressentimento? So perguntas que nem mesmo o autor Vincent Villari consegue responder  porque, afinal, no h resposta exata para elas na vida real.
www.veja.com/quantodrama

 Est pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


7. EINSTEIN SADE  ESTILO DE VIDA PODE PROPICIAR REFLUXO
Condio que afeta a sade digestiva est diretamente relacionada  alimentao desregrada e  obesidade.

     Nos ltimos 10 anos a incidncia da doena do refluxo gastroesofgico (DRGE) vem apresentando aumento constante, consequncia dos maus hbitos alimentares e do crescimento acelerado dos casos de obesidade na populao  uma epidemia global, de acordo com a Organizao Mundial da Sade. O problema tem, ainda, relao direta com fatores comportamentais como fumo e consumo elevado de caf, chocolate, bebidas alcolicas e gordura, sedentarismo, longos perodos em jejum e ingesto acelerada de alimentos. 
     O refluxo gastroesofgico (retorno do contedo gstrico para o esfago)  provocado principalmente pelo relaxamento do esfncter esofgico, um msculo localizado no fim do esfago que normalmente se abre para a passagem da comida e depois se fecha para evitar o retorno dos alimentos ou do suco gstrico. Quando esse mecanismo apresenta algum problema de funcionamento, como o fechamento inadequado, o refluxo aparece. 
     Embora frequentemente esteja acompanhada de azia, queimao ou mau hlito, a condio pode ser assintomtica. Contudo, quando atinge a parte alta do esfago, pode haver engasgo, rouquido, pigarro e tosse crnica, j que o suco gstrico agride a laringe e as cordas vocais. O lquido tambm pode entrar no pulmo, levando  asma, bronquite e at  pneumonia. 
     Se no tratado, um quadro leve da doena pode resultar  em eroses e lceras no esfago. A doena do refluxo pode, ainda, evoluir para o chamado esfago de Barrett (a mucosa do esfago se transforma em mucosa gstrica), elevando em 30 vezes o risco de cncer no esfago. 
     Vale ressaltar que o diagnstico da doena do refluxo  realizado, na maioria dos casos, por meio do relato do paciente, principalmente quando h repetio dos sintomas vrias vezes por semana e durante meses seguidos. Exames complementares como a endoscopia digestiva alta  para verificar se h alguma leso causada pela doena, como lceras e esofagites, ou alteraes anatmicas, como hrnia de hiato , ajudam a identificar a gravidade do refluxo. 
     A pHmetria esofgica tambm pode ser solicitada para medir a quantidade de cido que ascende para o esfago e o tempo em que o esfago fica exposto ao pH cido. Considera-se anormal a presena de refluxo (pH menor que quatro) acima de 4% do tempo total do exame (24 horas). 
     Com base no resultado dos exames  definido o tratamento, sendo mais comum o uso de medicamentos inibidores da produo de cido pelo estmago. Outra opo, de acordo com a gravidade do quadro,  a cirurgia, realizada geralmente por via laparoscpica. Contudo, seguir a orientao diettica, combater a obesidade, alimentar-se de forma correta e evitar o cigarro so fatores decisivos para que o tratamento seja eficaz e leve  extino dos sintomas.

Saiba mais sobre este e outros assuntos no site www.einstein.br
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Sua sade  o centro de tudo.
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Responsvel Tcnico:
Dr. Miguel Cendoroglo Neto - CRM: 48949


